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Dois meses a mais

Friday, October 19th, 2007

india

Hoje às onze da manhã vc pode falar em chat na G1 com Patricia Saboya (PDT-CE) -  a mulher do momento. A Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou projeto de sua autoria que dá incentivos fiscais para empresas que ampliarem a licença-maternidade dos atuais quatro para seis meses.  A prorrogação da licença-maternidade acontece através do Programa Empresa Cidadã,  e a empresa que aderir voluntariamente ao projeto recebe incentivo fiscal.

“De acordo com a autora do projeto, a intenção é fazer com que a mãe tenha dois meses adicionais para amamentar o bebê e ampliar o vínculo afetivo”

A pergunta do momento é: “E isso vai ser bom pra mulher?” Se hoje já vemos tanto preconceito contra a mulher em idade reprodutiva (com ou sem filhos), se vemos mães sendo despedidas no momento que voltam da licença-maternidade, o quê podemos esperar dessa nova lei quando ela entrar em vigor?

Países  (Suecia) com licença-maternidade mais longa sentiram a necessidade de lançar campanhas de valorização da família tanto para impedir esse tipo de preconceito como para incentivar que as mães usem suas licenças. Por que não lançamos logo uma campanha: contrate uma mãe porque... porque ninguém entende como ela de multi-tasking… porque ela dá valor ao seu tempo longe dos filhos… porque ela tem motivos de sobra para fazer mais rápido, fazer melhor e não ter que refazer trabalho!

Por que as mulheres devem ganhar menos

Wednesday, May 30th, 2007

É o título de um texto que li há algum tempo e continua me incomodando ainda hoje. O argumento é que as escolhas que fazemos como mães (trabalhar menos horas, não assumir cargos com mais responsabilidades por causa das horas extras e viagens, etc) são os motivos que justificam manter os salários das mulheres menores que os dos homens. O autor ainda coloca que quando a firma opta por equiparar salários, apesar das “escolhas das mulheres” (todas referentes à maternidade), a firma prejudica aquele funcionário homem que está dando o sangue (e tem esposa em casa cuidando dos filhos) pois o salário dele será menor, apesar das horas extras trabalhadas, para pagarmos a mulher que não faz hora extra, mas acaba ganhando igual. Deu para entender? Esse texto me incomoda feito unha encravada…
Existe outro mundo. Existe um site chamado “Onde as mulheres querem trabalhar” repleto de informações sobre firmas que oferecem benefícios a mulheres (=mães) e nele você pode ver os benefícios que o Banco HSBC oferece na Inglaterra (que inclui seguro contra baby blues com creche no local de trabalho), e ainda ler esta entrevista com Anna Fels sobre mulheres e ambição:
“Apesar dos grandes avanços das mulheres nas últimas décadas, suas ambições ainda são prejudicadas de maneiras sutis. Pais, professores, chefes e instituições incentivam menos mulheres que homens, e mulheres ainda crescem acreditando que devem ceder diante dos homens para serem consideradas femininas. No entanto há uma forte evidência que organizações inclusivas beneficiam-se com maior lucratividade, e países onde as mulheres recebem apoio ativo demonstram maior prosperidade eonômica,”
De acordo com o artigo, a autora trabalha com companhias da lista da Fortune 500 na busca de maneiras de reter e incentivar mulheres em cargos elevados.